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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Choque Cultural




Parece obvio que uma vez que saímos da nossa zona de conforto, saindo do nosso país, vamos vivenciar uma adaptação cultural, apesar de sabermos disso nem sempre estamos preparados para o choque que iremos enfrentar. Até porque, diferente das férias ou viagens que já tenhamos feito, agora vamos viver essa realidade, e muitas vezes sem data ou previsão de regresso. Tudo nos coloca a prova, desde o clima, altitude, pressão atmosférica, idioma, culinária, musica, forma de se vestir, comportamento, uma soma de fatores que compõe a nova cultura que iremos vivenciar. Quando estamos de passeio ou temporários, conseguimos driblar alguns aspectos com bom humor, paciência ou simplesmente passamos longe e fingimos que não é com a gente, mas uma vez que viva no lugar corre risco de não se encaixar se não tiver um mínimo de flexibilidade.

Eu confesso que sofri bastante na minha adaptação, diferente de muitos que sentem que já viveram outra encarnação no México eu simplesmente não tolerava um monte de coisas e hoje percebo como sofri desnecessariamente ao bater de frente com a cultura local. Os primeiros amigos mexicanos foram muito amáveis e pacientes, rs, porque eu era uma grande chata!

Assim que a primeira dica que dou é: o país que você vive, a cultura que está inserida vai muito além do seu condomínio, bairro ou região, não meça todos segundo os critérios que vê dentro da sua bolha. Basicamente se comeu um taco ruim não significa que todos os tacos sejam ruins. Se conheceu um mexicano machista não significa que todos mexicanos serão machistas e por aí vai. Quem já vive aqui a algum tempo sabe que musica não se resume a Mariachi, comida não se resume a tortilla e picante, há de tudo em um país tao rico e complexo.

Correndo o risco de ser mal interpretada farei uma analogia: quando vejo uma pessoa toda tatuada, com cabelos coloridos, roupas estranhas, achar ruim das pessoas ficarem olhando. Oras, se não queria ser olhado com estranheza não saísse do padrão da “normalidade” ou ficasse apenas dentro da sua tribo onde tudo isso é “normal”. Pois é, baseada nesse mesmo princípio, você não pode ficar irritado se todos ficarem te olhando, se você insistir em usar sunga na piscina, sabendo que isso é mal visto pelos locais. O mesmo se aplica para roupas curtas ou decotes no DF (nem todos lugares são assim aqui), meninos sem camisa, meninas com cabelo bagunçado. Você pode escolher ser como é, mas então terá que aceitar ser tratado com estranheza ou mesmo que o vejam com maus olhos, você é o estranho no ninho, você está destoando do padrão local. E antes de atirar a primeira pedra contra os “intolerantes” imagine só uma garota com pernas, axilas e virilhas sem depilar em uma praia carioca ou uma mulher entrando na piscina com calça e camiseta em um condomínio de SP. O ditado “ Em Roma seja romano” é basicamente para te dizer que se não quer ser tratado, julgado ou considerado diferente dos demais, atue como eles.


Fabiana Giannotti, brasileira radicada no México desde 2008, casada, 2 filhos, passou a ser mãe 24h e dona de casa após vir para cá. Praticamente uma expert em mudanças depois de encontrar e mudar para 8 casas em 7 anos, além de acumular experiências em tradução, aulas de português, corretagem de imóveis e assessoria para expatriados. Adoro escrever, conversar, fazer novos amigos, viajar. Me considero afortunada por viver no México, aprender a respeitar e conhecer essa bela cultura. Conhecer, adaptar-se, aprender, mudar, acostumar, respeitar, amar o diferente são algumas coisas que descobri nos últimos anos, além do fato que, por mais perfeito que seja o plano tudo pode mudar de repente...
Colunista e parceira no blog: viviendoenelmexicomagico.blogspot.mx/



GUIA PRATICO PARA ESCOLHER UMA ESCOLA





A melhor época para escolher uma escola é de dezembro a março, período onde tradicionalmente escolas abrem inscrições. Se não for viável nesse período, compreenda que é possível que não haja vagas, e em algumas escolas tradicionais há espera de mais de 2 anos para obter uma vaga, de forma que a melhor coisa a se fazer é ter várias opções. O ciclo escolar se inicia em agosto/setembro e termina em junho/julho, dependendo do calendário escolar. A idade, maturidade e nível acadêmico determinam a séria que a criança vai cursar, havendo uma variação de 1 ano mais ou menos. (Uma criança no primeiro ano primário pode terminar o ciclo escolar com 7 ou 8 anos, o que conta é com quantos anos termina o ciclo, ou seja dependendo do mês de aniversário.)

Antes de mais nada vou explicar que esse post vem baseado nas minhas experiências buscando escola para meus filhos, sem conhecer nada, com mínimas referencias de amigos e blogs, e pesquisas que realizei para amigos. Não é a única maneira, não são os únicos sites, a qualquer momento você pode complementar esse post com informações uteis. Naturalmente você pode adaptar as informações para buscar faculdades, cursos, etc.

Pessoalmente minha família decidiu em cada vez que nos mudamos, traçar um raio de 15 km do local de trabalho do meu esposo e dentro desse raio escolhemos uma escola, após eleita a escola decidimos a residência dentro do mesmo raio entre escola e trabalho. O número 15 km é aproximado, e dentro da Ciudad de Mexico e Área Metropolitana pode representar uma grande distância em termos de tempo, se estivermos falando de zonas com transito intenso podemos diminuir esse raio, para esse fim temos o wase e o google maps que nos dão um tempo aproximado de deslocamento.

Meu primeiro movimento então é buscar quais são as escolas mais próximas de um determinado endereço, no google maps coloca a localização da empresa (se já tiver a residência deve partir daí, se a região for considerada ruim para viver parta de um ponto de referência que já tenha buscado previamente, nesse caso usei o Shopping Santa Fé) e clico na opção “en alrededores” e escrevo: Escuelas Privadas.



Daí você vai receber uma lista de escolas, selecione da lista, uma a uma, aquelas que estejam dentro do raio desejado e descarte as que não, sugiro fazer isso em um horário equivalente ao horário de ida a escola daqui, considerando o fuso.


Outra opção que você pode verificar, mas complica se você não conhece nada a respeito da região é buscar listas das principais escolas da região:

Na Ciudad de México existe o site http://www.chilango.com/tabla/2015/las-100-mejores-escuelas, mas não lista todas as escolas.

Em Guadalajara (2º maior metrópole) http://tumejorcolegio.com/colegios/

Esse site está muito completo, mas você precisa ter noção da região, ele ajuda inclusive a preencher lacunas que os sites não informam.

O seguinte passo é conhecer as escolas, entrando no site deles para buscar o máximo de informações possíveis, as informações que não forem encontradas nos sites você pode buscar através de um e-mail para a escola:

Alguns pontos importantes a serem avaliados:

Instalações: Se há espaço, laboratórios, cafeteria (lanchonete) biblioteca, jardins, etc.

Horário de funcionamento das aulas, se tem after school (pais que trabalham ou querem deixar o filho em outro período).

Preços: As escolas no México cobram, normalmente: colegiatura (mensalidade) Inscripciones, Material Escolar, Exame de admission, seguro, Utiles (material escolar), Libros, em algumas escolas o transporte é obrigatório, em outras opcional, em algumas as atividades extracurriculares estão incluídas, em outras são pagas a parte.

Certificações e Convênios: Algumas certificações comuns das boas escolas: Cambridge, Microsoft, Lego, Robotix, etc, e algumas são conveniadas com escolas internacionais para fins de intercambio de verão, por semestres ou ciclos escolares.

Níveis acadêmicos, se a escola é apenas kinder (pre escolar), primaria, secundaria ou preparatória (ensino médio).

Formação: Tradicional, Construtivistas, Humanista, Religiosa, Laica.

Gênero: mista, feminina, masculina

Idiomas: Quais idiomas maneja (embora a maioria seja inglês/espanhol, há exceções. Bilíngue, trilíngue.

Atividades Extracurriculares: Quais são as atividades fora do horário de aulas, quais são os horários, se estão incluídas na mensalidade e qual o custo extra se houver.

Ranking: O México tem uma prova que todos os alunos são submetidos e com base nos resultados qualificam as escolas em um ranking, essa prova se chama Enlace. Os rankings da escola dão uma boa noção do nível acadêmico dentro do Estado, região onde se encontra a escola. http://escuelas.findthebest.com.mx/, entrando na escola você terá informações a respeito da quantidade de alunos, professor por aluno, quantidade por grupo, etc., só é necessário filtrar as informações, por exemplo na quantidade de alunos por docente no caso abaixo diz 50 alunos por docente, mas nesse caso cada docente trabalha com 2 grupos (professora de espanhol trabalha metade da manhã com o grupo A e a outra metade com o grupo B, e no outro período os alunos tem aula com a professora de inglês) isso quer dizer que cada docente trabalha com 50 alunos, mas são 25 por grupo (meio período cada) em média. Essa escola ocupa o 221º lugar no ranking de 6664 escolas, ou seja, está entre as 3.31% melhores escolas do Estado.


Com base nisso você terá algumas escolas, pode fazer uma lista daquelas que te interessam, e deve agendar uma visita a escola, onde mostrarão as instalações e darão as informações. Uma sugestão importante é que de preferência esteja presente pai e mãe, ambos com uma apresentação formal (vestimenta, maquiagem,etc) pois vocês serão avaliados também se podem formar parte daquela instituição, e acredite, as aparências contam.

O passo seguinte é, nas escolas que te interessaram, agendar um exame admissional, é normal, querem ver em que nível seu filho está, de linguagem, domínio das matemáticas, idiomas, acadêmico em geral, algumas escolas fazem avaliações psicológicas e motoras. Algumas escolas cobram pelo exame de admissão.

Uma vez que os exames estejam realizados, você deverá trazer uma lista de documentação solicitada e inscrever seu filho.

Documentações normalmente requeridas:

Solicitud de inscripción. (Formato que a escola da, folha de inscricao)

Ficha médica. 

Formato para la domiciliación de pagos (com dados bancários, caso queira deixa em debito automático, eu não recomendo).

Certificados de estudios de años anteriores (histórico escolar, certificados de conclusao de curso)

Original y una copia de Acta de nacimiento certificada. (certidão de Nascimento traduzida)

Certificado médico de salud (lo otorga el pediatra o Institución de salud pública)

Copia de la cartilla de vacunación. (carteira de vacinação)

Copia de CURP (documento, como um CPF que temos que emitir vivendo aquí)

Copia de comprobante de domicilio.

Copia de identificación oficial de los padres o tutores, (passaporte)

Carta de Buena Conducta (carta de recomendaçao da escola anterior)




Fabiana Giannotti, brasileira radicada no México desde 2008, casada, 2 filhos, passou a ser mãe 24h e dona de casa após vir para cá. Praticamente uma expert em mudanças depois de encontrar e mudar para 8 casas em 7 anos, além de acumular experiências em tradução, aulas de português, corretagem de imóveis e assessoria para expatriados. Adoro escrever, conversar, fazer novos amigos, viajar. Me considero afortunada por viver no México, aprender a respeitar e conhecer essa bela cultura. Conhecer, adaptar-se, aprender, mudar, acostumar, respeitar, amar o diferente são algumas coisas que descobri nos últimos anos, além do fato que, por mais perfeito que seja o plano tudo pode mudar de repente...

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Quero trabalhar no México, vale a pena?


Essa é a pergunta que recebemos quase todos os dias em diferentes formatos, de gente de todo Brasil. Com a crise que nosso país vem enfrentando, infelizmente, o volume de brasileiros descontentes com a vida, oportunidades, emprego e outros aspectos do nosso amado país vem crescendo muito.


domingo, 28 de agosto de 2016

Como escolher uma residencia no México


Como escolher uma residência?



Na muitas comunidades que participo, de expatriados, muitos brasileiros perguntam, qual o melhor lugar para morar no México? Se sua pergunta é totalmente aberta, sugiro que se informe sobre como é o México, a imensa diversidade que existe no pais e comece a formar uma opinião a respeito, porque um pais que possui de deserto a selva, passando por praias e imensas metrópoles pode atender a qualquer gosto. Da mesma maneira, a analise se aplica em qualquer outro país.

A sua escolha deverá ser baseada em algum lugar onde irá estudar ou trabalhar, já que são as principais formas de obter um visto de residência. Então considerando que você já solucionou uma dessas variáveis, local de trabalho ou de estudo, podemos estabelecer um roteiro de como procurar uma residência.

Alguns aspectos devem ser considerados na hora de encontrar uma residência, custos, localização, estilo de vida, espaço, segurança. Daí você já começa a fazer uma ideia se quer viver em uma região mais residencial ou mais dentro da cidade, casa ou apartamento, etc. 

Partimos sempre de alguma variável fixa, como local de trabalho e traçamos um raio razoável de distância a ser percorrida, considerando o transporte a ser utilizado. Dentro desse raio de distância anotamos localidades, municípios, bairros e pesquisamos a respeito dessa região. Índices de violência, desastres naturais (terremoto, enchente), custos, facilidades, aspectos que caracterizam a região e comparo com meus objetivos. Nesse ponto pedir referências a grupos de brasileiros locais é uma ótima ideia, pois terão informações mais concretas a respeito.

Se iremos frequentar escolas é uma variável muito importante que deve ser considerada tanto quanto a distância ao trabalho. Certamente teremos algumas áreas mais ou menos favoráveis e já poderemos excluir algumas delas. Trabalhar com mapas impressos e fazer cálculos virtuais no google maps, em tempo real dos horários de rush, é uma excelente maneira de organizar suas opções.

Uma vez que tenha opções de localização em um mapa pode começar a buscar imobiliárias virtuais onde poderá visualizar algumas opções de residência. Se puder contatar corretores que o ajudem na sua busca, seja o mais claro e especifico possível em todas as suas necessidades e a cada opção mostrada verifique que suas especificações foram consideradas.

Não alugue nada virtualmente, não faça pagamentos ou depósitos antes de verificar o local e ter as chaves do imóvel em mãos. Alguns proprietários ou imobiliárias podem pedir um sinal para reservar o imóvel, certifique-se que o valor seja pequeno e razoável, há muitas pessoas que se dedicam a golpes imobiliários e estrangeiros são perfeitos para caírem nesses golpes.

No momento de verificar o imóvel observe além da aparência, os serviços de distribuição de agua, gás, luz, cabos, se estão em bom funcionamento e condições de uso, (tanque estacionário, boiler, calefação, relógios, torneiras, duchas, bombas, caixa d’água, cisterna)



Solicite com antecedência, se for necessário, ligações elétricas, de agua, calefação, telefone, internet, dedetização, quais são os prestadores de serviços, como se comunicar com eles em caso de emergências, fuga de gás ou água, queda de energia.



Verifique na residência os pontos de instalação, se possuem suficientes adaptadores, tomadas e verifique como irá solucionar eventuais necessidades. Veja se possui as ferramentas necessárias para montar moveis, instalar eletrodomésticos, varais, etc.



Antes de assinar o contrato verifique se o mesmo cobre seus direitos, quais são as garantias, em caso de dúvida solicite ajuda de algum advogado ou pessoa de confiança local. Aqui no México é comum que peçam além do avalista, de 1 a 3 valores de aluguel como deposito. Eu sempre sugiro que não paguem mais de um aluguel como deposito, se o proprietário insistir em maiores garantias sugiro que o valor adicional seja colocado a título de adiantamento dos primeiros meses de aluguel. Ocorre que as leis imobiliárias favorecem mais o inquilino que ao proprietário e eles buscam o máximo de garantias, porém raramente o proprietário devolve o deposito realizado, razão pela qual não sugiro deixar um valor superior a um mês de aluguel.

Descubra como são os acessos a residência, a segurança que oferecem não apenas em relação a criminalidade, mas também a eventuais intempéries naturais, furacão, terremoto, enchentes.

Verifique se há algum tipo de praga ou predador na região e se é necessário chamar serviços especializados de dedetização ou controle de pragas antes de mudar, áreas com muito jardim ou grama podem ter aranhas, escorpiões e outros tipos de insetos que pode não estar acostumado se viver em um apartamento em uma grande cidade.

Se for viver em algum regime de condomínio conheça as regras, horários e costumes e procure se adaptar, isso inclui muitas vezes se acostumar a festas que entram madrugada adentro, porque sim, o mexicano é muito festeiro. Via de regra (sempre haverá exceções) quanto mais organizado e cheio de regras for o condomínio, maiores as chances de haver algum toque de recolher.

Descubra horários e formas de coleta de lixo, se há serviços de limpeza de áreas comuns, quais são suas obrigações e direitos como residente.

Tenha a mão telefones de serviços de emergência, policia, bombeiro, ambulância, companhias de luz, agua, gás, bem como de prestadores de serviços necessários, eletricista, encanador, etc

Sites que o ajudarão a encontrar residência:




Fabiana Giannotti, brasileira radicada no México desde 2008, casada, 2 filhos, passou a ser mãe 24h e dona de casa após vir para cá. Praticamente uma expert em mudanças depois de encontrar e mudar para 8 casas em 7 anos, além de acumular experiências em tradução, aulas de português, corretagem de imóveis e assessoria para expatriados. Adoro escrever, conversar, fazer novos amigos, viajar. Me considero afortunada por viver no México, aprender a respeitar e conhecer essa bela cultura. Conhecer, adaptar-se, aprender, mudar, acostumar, respeitar, amar o diferente são algumas coisas que descobri nos últimos anos, além do fato que, por mais perfeito que seja o plano tudo pode mudar.

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VIAJAR E FICAR EM COZUMEL – O PARAÍSO EXISTE





A vinte anos atrás (OMG, quanto tempo) eu conheci o México, vim de férias a Cancun e fiz vários passeios, entre eles, fui conhecer e snorkear em Cozumel. Fiquei fascinada com a beleza do mar, as cores, transparência da agua, não queria voltar para Cancun. Desde então Cozumel passou a ser minha versão do paraíso.

Por acaso da vida, muitos anos depois desembarquei com toda a família para viver no México, amante da praia e do mar fomos algumas vezes a Acapulco, Cancun, Vallarta mas até esse ano não havia calhado de regressar a Cozumel.

Se colocar no google imagens “Cozumel” verão infinitas fotos da beleza natural, mas hospedar-se em Cozumel é uma experiência única.


Cozumel é uma pequena Ilha de 48 km e está 62km de Cancun, passeando de carro, em 2h pode conhecer toda a ilha. A Ilha é dividida por uma zona hoteleira, o centro (onde também há vários hotéis) onde os Cruzeiros aportam, e uma parte da Ilha destinada a receber visitas de Cancun, onde não há hotéis nem hospedagem. Para buscar um hotel em Cozumel sugiro que observe bem as fotos pois há várias opções de hotéis onde não há praia, apenas mar ou rochas. O mar é uma verdadeira piscina, a agua tem uma temperatura agradável, em poucos passos você tem profundidade suficiente para estar com agua no peito e ver as cutículas do dedão do pé. Não há como descrever a paz e tranquilidade desse mar...muitas pessoas levam boias, drinks e ficam imersos da imensidão azul até cansar e desejar suar um pouco na areia branca.

Escolhi um hotel com All Included porque queríamos apenas relaxar no hotel, ainda bem que foi nossa opção, pois se fosse diferente teríamos que incluir um aluguel de carro ao orçamento de férias, pois não havia absolutamente nada a quilômetros de distância. Nosso hotel apesar de ser um resort 5 estrelas de uma grande rede hoteleira, tinha alguns problemas básicos, como um ar condicionado que não esfriava muito e mosquitos, devido a abundante vegetação na região. Como estávamos antes a 2600m de altitude sofremos um pouco no princípio, um calor intenso, mas convenhamos que foi um preço pequeno para se pagar pelo paraíso. A lojinha do hotel nos salvou de pequenos apuros como itens de perfumaria e farmácia.

A estrutura turística em Cozumel, assim como em Cancun é excelente, dentro do próprio hotel existem prospectos de passeios, aluguel de carro, guias, etc. O nosso hotel oferecia grátis equipamentos e aulas de snorkel, e aulas contratadas de Mergulho, e quem quisesse poderia contratar o barco com fundo de cristal e praticar Snorkel ou Mergulho.

Existem alguns passeios de Jipe, mas achamos mais vantajoso alugar um carro com ar condicionado e passear com um dia inteiro livre, passamos por algumas ruinas maias em El Cedral,


Em seguida fomos até o Farol que fica dentro do Parque Ecológico de Punta Sur, havia também um museu marítimo e praias maravilhosas com serviços de ducha, restaurantes, redes e espreguiçadeiras.


Voltamos passeando pelo centro, as lojas de souvenires e o centro em geral nos pareceu um pouco fraco, com as mesmas coisas de outras praias, sem nada muito especial e com preços altos. Há mais opções de restaurantes, supermercados, lanchonetes, porém a maior parte do centro não tem boas praias, assim que há que fazer sua análise de custo x benefício.

Há diversas outras opções de passeios, como nadar com golfinhos, com tartarugas, ver crocodilos, passear em Submarino, Parque Aquático, que não fizemos, nosso intuito nessa viagem era realmente relaxar e desfrutar, absorvendo paz e tranquilidade e recarregar as energias.

Paraiso a parte, pensando em aspectos práticos, Cozumel é um lugar caro, a maior parte dos passeios, mesmo no hotel, e vários restaurantes fora do centro não aceitam cartão, apenas dinheiro vivo. A lojinha do hotel foi a mais cara que já conheci no México. Meu celular da At&t não tinha praticamente sinal de internet ou mesmo telefone. Não sei se os demais hotéis praticam essa política, mas o que nós ficamos cobrava pelo uso de Wi-fi, me pareceu um absurdo o valor de U$ 80.00 por uma semana de uso. O celular do meu marido da Telcel conseguia sinal, às vezes. Me surpreendeu também o taxi do aeroporto que nos cobrava por pessoa, em dinheiro vivo, com opção de carro privativo ou van coletiva, o pequeno trajeto de cerca de 10 km custou 480 pesos para nossa família chegar até o hotel, um carro alugado custava a partir de 800 pesos.

Como é um lugar com muitos estrangeiros, o serviço funciona sempre melhor na base da caixinha, sugiro trocar várias notas de 1 dólar para obter os melhores serviços, drinks, atenção. Uma caixinha para o rapaz da piscina nos garantia um par de espreguiçadeiras na sombra todos os dias, outra os melhores coquetéis e por aí vai.

Uma recordação muito bacana que tivemos foi a contratação de fotos profissionais na praia. Aquelas fotos com cara de Casa Caras, a Ana oferecia seus serviços de fotografa no hotel, tiravam diversas poses e poderíamos escolher e pagar apenas pelas que queríamos, a um preço de 10 dólares cada uma. Foi uma sessão gostosa, agradável, feita pela sócia dela, 2 dias depois escolhemos as fotos sem nenhuma pressão, ela nos salvou em um CD e no pen drive que trazíamos e podemos imprimir quantas fotos quisermos. Eu que adoro foto fiquei mega feliz com o resultado e a lembrança que levo pra casa.
                             

Minha conclusão é que dependendo do seu objetivo de viagem, se estiver no pique de passear, conhecer parques, ruinas, golfinhos, etc., eu recomendo que vá a Cancun onde terá melhores opções de hospedagem, estrutura, transporte, preços, e inclua Cozumel na sua lista de passeios. Sobre Cozumel eu reitero que realmente é o melhor lugar do mundo para relaxar e desfrutar a comunhão com uma natureza exuberante e absolutamente maravilhosa. Se o seu intuito é esse, faça suas malas e esqueça a civilização, desconecte-se, mergulhe de cabeça nesse paraíso... eu agradeço a Deus pela oportunidade de ter vivido essa experiência.













Fabiana Giannotti, brasileira radicada no México desde 2008, casada, 2 filhos, passou a ser mãe 24h e dona de casa após vir para cá. Praticamente uma expert em mudanças depois de encontrar e mudar para 8 casas em 7 anos, além de acumular experiências em tradução, aulas de português, corretagem de imóveis e assessoria para expatriados. Adoro escrever, conversar, fazer novos amigos, viajar. Me considero afortunada por viver no México, aprender a respeitar e conhecer essa bela cultura. Conhecer, adaptar-se, aprender, mudar, acostumar, respeitar, amar o diferente são algumas coisas que descobri nos últimos anos, além do fato que, por mais perfeito que seja o plano tudo pode mudar de repente...
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sábado, 27 de agosto de 2016

Dia dos Pais - longe do meu pai.


Nem tudo são flores na vida de expatriados… a saudade que já foi cantada em verso e prosa, desde o tempo de Camões, é uma companheira constante de quem vive fora da sua pátria.




Em dias especiais, como Natal, dia das mães e dia dos pais a saudade aumenta, machuca, as vezes dói mesmo.

Esse post foi escrito no dia dos pais daqui do México, muitos corações estão apertados, estar longe dos pais, sabendo que o tempo vai passando e os dias festivos podem não se repetir para avós e papais já velhinhos são um preço alto a ser pago.

Escrevo hoje com meu coração chorando, meu pai está em estado terminal e os médicos não deram mais que essa noite para ele. Ontem fui buscar uma passagem de última hora, mas os médicos já o colocaram em coma induzido e já não poderei vê-lo consciente e provavelmente nem com vida. Em meio as Olimpíadas as passagens estão entre 2000 e 3000 dólares e já não há mais voos diretos. Já não haverá dia dos pais para meu pai e eu.

O tempo para quem vive longe é relativo. Perdemos em quantidade, ganhamos em qualidade. Quando ligamos, conectamos, chateamos ou vemos pessoalmente nos dedicamos a isso. Sabemos valorizar os milagres que a tecnologia nos proporciona para que possamos nos comunicar com aqueles que amamos. A maioria de nós ao ir ao Brasil sente desde o cheiro da terra até o abraço apertado a alegria genuína de estar com quem se ama. Muitas vezes, quando vivemos ao lado perdemos tempo e oportunidades de conviver.

Cada um de nós tem uma história que nos levou para longe do nosso país, razoes e motivações para estar aqui, nesse dia dos pais espero que possam abraçar ainda que virtualmente seus pais, trocar palavras, mensagens, cartas, falar por Skype, demonstrar o amor e carinho que os une. Para aqueles que já não tem seus pais, se tiverem alguma fé, enviem orações, amor, vibrações, independente da sua religião, de alguma maneira o carinho de vocês.

Para aqueles que estao tristes pela distancia, com saudade, liguem, conversem, ria, chore, compartilhe o sentimento, a distancia é relativa... nao deixe que a ausencia de toque físico seja mais forte que a presença no coração.




Escrito por:







Brasileira radicada no México desde 2008, casada, 2 filhos, descobri o que era ser mãe 24h e dona de casa após vir para cá. Quase uma expert em mudanças após mudar 8 vezes em 7 anos, além de acumular experiências em tradução, aulas de português, corretagem de imóveis e assessoria para expatriados. Adoro escrever, conversar, fazer novos amigos, viajar. Me considero afortunada por viver no México, aprender a respeitar e conhecer essa bela cultura. Conhecer, adaptar-se, aprender, mudar, acostumar, respeitar, amar o diferente são algumas coisas que descobri nos últimos anos, além do fato que por mais perfeito que seja o plano tudo pode mudar de repente... 

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14/08/2016

Amar a distancia


Amar a distancia



Uma das coisas mais difíceis de lidar quando a gente vive longe do país é deixar a família e amigos para trás. Tem suas vantagens, é claro, ficamos longes das intrigas familiares, eu sempre brinco, que minha mãe vive longe, mas a sogra também. (Mentira, sinto muitas saudades da sogra também). Descobrimos quais são nossos amigos verdadeiros, e para muitos, é a primeira vez que cortamos o cordão umbilical.

Deixar a família para trás é difícil para a maioria de nós, para alguns mais desprendidos nem tanto, mas para todos aqueles que vierem para fora e por qualquer razão o tempo for se estendendo ou se tornando indefinido, chegarão momentos que nos damos conta que o tempo passa diferente quando estamos fora.

Nos meus primeiros 2 anos no México fui 4 vezes ao Brasil, confesso que não tive muito tempo para perder contatos pois vivia mais a vida lá do que aqui. Após isso eu passei 3 anos sem ir para o Brasil. Me lembro que nada me chocou mais que ver minha avó após esse período. Ela cumpria 80 anos e na verdade, apenas seguia o curso natural da vida, a vi pela primeira vez como uma senhora idosa, e não a fortaleza de sempre, mas assim como as crianças, os velhos nos mostram claramente a passagem dos anos.

Outro evento que me marcou foi quando minha irmã engravidou, não estar por perto durante a gestação, o parto. O dia que minha sobrinha nasceu, numa cesárea programada, eu falei para meus filhos que a prima deles ia nascer, minha filha na sabedoria dos seus 4 anos, baixou a cabeça triste. Eu disse que a veríamos por Skype e minha filha me olhou com os olhos cheios de lágrima e me disse que não dava para abraçar pelo Skype ou segurar a neném pelo Skype. Choramos todos juntos.

Logo vieram os primeiros aniversários, os aniversários importantes (40, 50, 60, 80), formaturas, casamentos, enterros. Em alguns deles pudemos ir, a maioria foi comemorado on line ou chorando por telefone. Alguns momentos simplesmente corremos e ficamos lá, por um tempo, pelo tempo que podemos, como quando minha sogra teve um infarto e meu esposo pode ficar com ela durante a cirurgia e cuida-la na recuperação, em suas primeiras semanas.

Na minha última ida ao Brasil pude acompanhar meu pai ao médico e ser a pessoa que estava do lado dele quando soube que o câncer havia voltado, era inoperável e seria uma questão de sobrevida. Pudemos conversar, ter “aquela” conversa, estando ainda bem, relativamente saudável. São decisões difíceis. As longas doenças ou as mortes instantâneas, não sabemos qual é a pior parte, estando aqui ou lá.

Por um lado, construímos uma vida do outro lado do hemisfério, carreiras, um futuro melhor para os filhos, novos amigos. Por outro lado, sempre teremos uma história anterior, amores anteriores, amigos, família. Vivemos uma vida, a correria do dia a dia, construímos pontes, trilhamos novos caminhos, mas sempre estaremos vivendo outra vida on line.

Nos acostumamos a fazer festas natalinas com famílias improvisadas, sentir frio na época de calor do Brasil, juntamos a comunidade brasileira em carnavais, festas juninas, quem pode perde o verão aqui para passar frio no Brasil. A vida no exterior pode ser muito boa, depois de superadas as dificuldades iniciais, e apesar de tudo, pesando os prós e contras, eu realmente não desejo voltar para o Brasil, talvez algum dia, mas esse dia fica cada vez mais distante, mais difuso.

Com o tempo nos damos conta de que deixamos para trás muitas coisas, perderemos os últimos anos de alguns entes queridos, os primeiros ou mais importantes de outros seres amados, mas essa é a vida que escolhemos para nós. Poucos dos que ficaram nos entendem, alguns desejariam estar no nosso lugar, sem noção de quantas perdas enfrentamos nessa escolha.

A tecnologia nos ajuda, as ligações ilimitadas da Telmex são uma verdadeira maravilha, facebook, facetime, grupos de família, amigos de whatsapp, mas não substituem os abraços, os cheiros, os sons, o toque. É parte da escolha de viver fora, que ninguém pense que é fácil ou simples, mas se soubermos cuidar de quem realmente importa em nossas vidas, podemos amar e estar presentes online. Aos que tem ou terão filhos, ensina-los a falar português, a cantar nossas canções, manter nossa cultura, tradições familiares, a amarem os avós, bisavós, tios, primos e melhores amigos, faze-los sentir-se vivos, importantes, amados e queridos, é o que realmente importa, porque para nós o tempo deles sempre foi diferente da vida daqui.


Fabiana Giannotti, brasileira radicada no México desde 2008, casada, 2 filhos, passou a ser mãe 24h e dona de casa após vir para cá. Praticamente uma expert em mudanças depois de encontrar e mudar para 8 casas em 7 anos, além de acumular experiências em tradução, aulas de português, corretagem de imóveis e assessoria para expatriados. Adoro escrever, conversar, fazer novos amigos, viajar. Me considero afortunada por viver no México, aprender a respeitar e conhecer essa bela cultura. Conhecer, adaptar-se, aprender, mudar, acostumar, respeitar, amar o diferente são algumas coisas que descobri nos últimos anos, além do fato que, por mais perfeito que seja o plano tudo pode mudar de repente...
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